Artigo da Semana #01 by GM


Recado



Olá a todos, a partir de hoje pretendo lhes trazer, neste blog, textos bem interessantes e informações sofisticadas, porem acessíveis aos mais variados tipos de leitores; eventualmente algumas pontas de informações inúteis para ocupar mais prazerosamente o seu tempo. Como pretendo escrever apenas semanalmente, não tenham preguiça de ler. Comentem, por gentileza. As opiniões e ocasionais sugestões me são muito bem-vindas.

Grato: Guilherme Moltocaro.






Prólogo



Decidi, aproveitando-me do trocadilho que há no nome do blog, escrever sobre dorgas: principio avisando que somos contra o uso de drogas para diversão ou quaisquer outras coisas: que não sejam terapêuticas, medicinais e afins.  Bebidas alcoólicas podem! Embora eu não goste delas, eu juro.

Eu tenho mais informações sobre a famosa farinha, a cocaína. Então decidi escrever sobre ela.



Um pouco de química



A cocaína pertence, como grande parte das drogas, ao grupo dos alcalóides. Meu dicionário define alcalóide como: “Substância orgânica nitrogenada, natural ou artificial, com propriedades básicas.” Não é uma definição perfeita, mas nem precisa.

Todo alcalóide é, em algum nível, tóxico. Alguns são poderosos venenos; que dirá Sócrates que foi morto por cicuta (extrato de plantas venenosas) em 399 AC. Alguns quase não fazem mal; por exemplo, a cafeína.  



Um pouco de história



A cocaína é uma substância sintetizada pela Erythroxylum coca, planta nativa da América do sul; onde foi usada por muito tempo em rituais religiosos dos nativos. Após a conquista ibérica, folhas da coca eram usadas como estimulantes para os trabalhadores nas minas de prata.  A grande mudança na forma de uso deste alcalóide aconteceu quando um jovem químico, Friedrich Gaedcke (com um nome desse só poderia ser alemão!),  isolou a cocaína, que foi usada como anestésico, em 1855.

A combinação com álcool foi (e é até hoje) muito popular (gera-se cocaetileno, que dá mais euforia). Cocaína como ingrediente de vinhos foi popular até a proibição (do álcool) nos Estados Unidos. Em 1885 John Pemberton desenvolveu a coca-cola, que não contém álcool; cada garrafa da bebida continha 9mg de cocaína. Em 1903 retirou-se do mercado a coca-cola com cocaína. A proibição veio em 1914 (quase cem anos e a coisa só piora).



Um pouco de refino



Vou explicar-lhes, por cima, o processo de refino.

As folhas moídas da coca são basificadas. Depois de secas se extrai com solvente orgânico apolar: tem-se, então, a pasta base; que então é purificada (há vários métodos pra isso) e a cocaína e transformada em um sal chamado cloridrato de cocaína, que é o pozinho que se usa pelo nariz. E por que isso tudo? A cocaína não é solúvel em água, e ela precisa ir para a corrente sanguínea para fazer efeito. Por isso se transforma a cocaína (e muitos remédios) em sal orgânico, na forma de cloridrato, solúvel em água. O cloridrato de cocaína se degrada com temperatura, não é possível fumá-lo. A pasta base é possível se fumar (e nada recomendável).



Um pouco de ciência forense



O que se procura em exames antidoping, não é necessariamente a cocaína, mas sim as substâncias que o corpo gera a partir do metabolismo dela. Os principais são ecgonina (ECG), benzilecgonina (BZE), metil éster ecgonina (EME) e narcocaína (NAR). A detecção pode ser feita mesmo nas amostras que contenham outras drogas. Usa-se muito a urina, o plasma do sangue e o cabelo, para se fazer os exames. BZE pode ser encontrado até quatro dias, já em usuários crônicos estende-se por três semanas. Nas matrizes não convencionais (como a raiz do cabelo) é possível se detectar por meses. Já no sangue e saliva dificilmente se acha alguma coisa depois de 10H. Na urina, até uma semana se pode detectar, não é um método muito bom, mas é mais barato em relação às outras matrizes.

Em casos de overdose podem ser usadas algumas drogas que aceleram a degradação da cocaína em produtos menos tóxicos. Os metabólitos da cocaína são tão tóxicos quanto ela.



Lembrete



A cocaína causa forte dependência e é muito tóxica. Em longo prazo causa problemas cardíacos e de pressão alta; perda do apetite; insônia entre muitos outros infortúnios.



Fontes



Janicka, M.; Kot-Wasik, A.; Namiesnik, J.: Analycal procedures for determination of cocaine and its metabolites in biological samples. Trends in Analitical Chemistry, volume 29 n°3, 2010.



 Analytical Methods in Forensic Chemistry 1ª ed. páginas 177 e 178.



Minidicionário LUFT 12ª ed. 1996.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bem atual suas fontes, com exceção do dicionário. O assunto é pertinente visto que nossos jovens cada vez mais se enveredam em caminhos tão arraigados ao mal como o descrito. Um abraço e continue colaborando.

Anônimo disse...

omg vou morrer cedo FUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU

DAUSIDHASIUDHASIUDHASUDAS

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